Construí uma muralha, firme e forte. No início achava que era indestrutível, que ninguém conseguiria ultrapassá-la. De um lado estava o mundo e seus perigos, suas emoções e decepções. Do outro lado estava meu coração, pequeno e frágil, mas sem medo de enfrentar qualquer batalha. Na verdade, nunca imaginei enfrentar nenhuma guerra, certamente muitas pessoas tentaram adentrar em meu pequeno coração, mas as muralhas funcionaram, não deixei que ninguém se aproximasse. Foram tempos bons, mas com o passar dos anos comecei a me sentir só em meu reino protegido. Em tantas batalhas minha muralha foi enfraquecendo, mas mesmo assim era impossível ultrapassá-la. Até que se aproximou uma guerreira, com um sorriso estonteante, seu olhar era como o brilho do nascer do sol no paraíso. Ali, paralisei, observei sua ação de planejamento e estratégia de invasão, de repente ela veio correndo a toda velocidade, eu não resisti, o vento jogava seus cabelos ao ar, seus braços se movimentavam firmemente, ela tinha foco e decidiu me invadir. Eu não resisti, antes de ela entrar no meu reino, seu charme já tinha inundado todo meu coração. Baixei a guarda, abri os braços e a recebi com carinho. Não houve guerra, não houve resistência, me entreguei como um grande apaixonado. Suas intenções não eram más, ela não veio para destruir meu reino, então à tornei minha rainha.
No nosso reinado aconteceram muitas aventuras, algumas vezes perigosas, outras românticas. Em alguns momentos eu me achava o dono do mundo, a paz reinava em nós. Foram alguns anos de muita tranquilidade, sem batalhas nem ameaças. Com tudo isso, deixei de cuidar da minha muralha, outras pessoas começaram a se aproximar, as vezes pessoas más, outras nem tanto. Aos poucos e com o tempo, nosso reinado se tornou rotina, deixamos que a mono tonicidade fizesse parte da nossa vida. Sem guerras ou enfrentamentos nos sentimos um pouco fracos, despreparados e desmotivados. Eu fui mais fraco, a muralha que um dia construí pra proteger meu coração estava totalmente comprometida, sua estrutura não aguentaria nenhuma batalha. Algumas pessoas perceberam isso e se aproximaram, invadiram, bagunçaram e destruíram meu reino. Naquele momento, tentando me defender, não vi minha rainha, aquela que me ensinou a viver melhor, me mostrou o quanto era prazeroso poder dividir um coração, ela me fez ver que o medo de se apaixonar não passa de uma simples ilusão de perigo. Em meio a invasão, tudo sendo destruído, começaram a passar em minha mente imagens das emoções maravilhosas em que vivi ao lado dela. Ali, o tempo ficou em câmera lenta, lembrei do tempo que construí minha muralha, lembrei do tempo que a protegi. Mas quando minha rainha conseguiu ultrapassá-la, parei de cuidar. E estava presenciando seu fim.
Em meio a poeira e destruição, avistei minha rainha, corri pra protegê-la, mas ao se aproximar vi que ela não respirava mais, ela desistiu de lutar, não enfrentou a maior luta, as vezes imagino que foi por achar que não valia a pena guerrear por um reino que mesmo antes de ser invadido já estava um caos. Antigamente ela lutou muito comigo, enfrentou problemas e achou soluções. Traçou estratégias e venceu batalhas. Mas o tempo a fez desanimar. Parei por um minuto e chorei, lágrimas desceram como as de um menino perdido, a procura da mãe. Mas não havia mais tempo, pensei em desistir de lutar também, até tentei pular na frente das flechas, pra ver se a dor cessava mais rápido, pois não havia dor maior do que ter perdido minha rainha. Mas resolvi viver, passei um tempo escondido, vivendo sobre o luto, enquanto isso, o reino era destruído. Mas cansei de ficar no escuro, não havia mais sentido continuar ali, num reino sem rainha. Decidi partir. Corri a toda velocidade em busca dos portões, tentaram me derrubar constantemente, mas resisti, saí ferido, mas não destruído. Eu estava imundo, o sangue corria em todo meu corpo, fui bastante atingido, naquela dor, não conseguia tirar meu amor do pensamento. As lágrimas que corriam em meu rosto não eram de dor no corpo, eram de dor sentimental, não me conformava não ter cuidado dela, acabei a perdendo.
Já um pouco distante, sem mais tanto perigo, olhei pra trás. Parei pra observar, a poeira demostrava a tamanha destruição, as muralhas que construí não passavam de ruínas, era tudo pó. Sentei e chorei, bastante triste fiquei, mas em um lago me lavei, em um jardim me encontrei, ali cicatrizei minhas feridas, curei minha dor. Em meio ao tempo percebi que aprendi, são nas derrotas que crescemos mais, apesar de ter sido um derrotado, hoje me sinto um vitorioso, pois erros cometidos no passado, não se repetirão. Hoje vivo em um jardim, não preciso mais de muralhas pra proteger meu coração, aprendi que é preciso encarar seus "inimigos", pois no meio deles pode haver um amigo, ela pode não querer lutar, mas no fundo te conquistar, e eu não resistirei a isso, esperarei uma nova rainha, pra ser feliz comigo, nesse novo reino livre, preparado pra qualquer batalha, apenas com o amor.
Essa é minha história, sei que é parecida com a de muitas pessoas, não me arrependo do que fiz, me arrependo de como fiz. Mas se não tivesse sido assim, não teria experiência suficiente pra chegar aqui e escrever pra vocês o quanto vale a pena se arriscar, melhor ainda, como vale a pena amar. Ame sem medo, sem criar muralhas, o amor precisa respirar, não pode ficar preso entre barreiras, dessa forma nada ficará sem sentido ou desmotivado, e esse amor reinará por toda vida. Cuide bem da sua rainha, cuide bem do seu rei, nunca ache que outros reinos são melhores que o seu, olhando outros reinos do alto da muralha, parece tentador querer invadir, mas ao descer ao chão, você verá a quantidade de espinhos e armadilhas que isso lhe trará. Derrube suas próprias muralhas, em meio as ruínas construía um pilar de confiança e outro de compreensão. Coloque o Amor acima dos pilares e dessa forma seu reino estará sempre protegido.
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